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CARTA DE PRINCÍPIOS

Manifesto pela TV Pública independente e democrática

Nós, representantes das emissoras Públicas, Educativas, Culturais,Universitárias, Legislativas e Comunitárias, ativistas da sociedade civil e militantes do movimento social, profissionais da cultura, cineastas, produtores independentes, comunicadores, acadêmicos e telespectadores, reunidos em Brasília, afirmamos, em uníssono, que o Brasil precisa, no seu trilhar em busca da democracia com igualdade e justiça social, de TVs Públicas independentes, democráticas e apartidárias.

 

Nove meses transcorridos desde o chamamento para o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, uma iniciativa pioneira do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, com apoio da Presidência da República, podemos afirmar que este nosso clamor soma-se aos anseios da sociedade brasileira. Neste processo, o Brasil debateu intensamente a televisão que quer e pretende construir, quando estamos à porta da transição para a era digital.

 

Nesse período, superamos a dispersão que nos apartava de nós mesmos e descobrimos uma via comum de atuação, que tem como rota o reconhecimento de que somos parte de um mesmo todo, diverso e plural, complementar e dinâmico, articulado em torno do Campo Público de Televisão.

 

Um corpo que se afirma a partir da sua heterogeneidade, mas compartilha visões e concepções comuns.

 

Os participantes do Fórum afirmam:

  • A TV Pública promove a formação crítica do indivíduo para o exercício da cidadania e da democracia;
  • A TV Pública deve ser a expressão maior das diversidades de gênero, étnico-racial, cultural e social brasileiras, promovendo o diálogo entre as múltiplas identidades do País;
  • A TV Pública deve ser instrumento de universalização dos direitos à informação, à comunicação, à educação e à cultura, bem como dos outros direitos humanos e sociais;
  • A TV Pública deve estar ao alcance de todos os cidadãos e cidadãs;
  • A TV Pública deve ser independente e autônoma em relação a governos e ao mercado, devendo seu financiamento ter origem em fontes múltiplas, com a participação significativa de orçamentos públicos e de fundos não-contingenciáveis;
  • As diretrizes de gestão, programação e a fiscalização dessa programação da TV Pública devem ser atribuição de órgão colegiado deliberativo, representativo da sociedade, no qual o Estado ou o Governo não devem ter maioria;
  • A TV Pública tem o compromisso de fomentar a produção independente, ampliando significativamente a presença desses conteúdos em sua grade de programação;
  • A programação da TV Pública deve contemplar a produção regional;
  • A programação da TV Pública não deve estar orientada estritamente por critérios mercadológicos, mas não deve abrir mão de buscar o interesse do maior número possível de telespectadores;
  • A TV Pública considera o cinema brasileiro um parceiro estratégico para a realização de sua missão e enxerga-se como aliada na expansão da sua produção e difusão;

 

O Campo Público de Televisão recebe positivamente a criação e inserção de uma TV Pública organizada pelo Governo Federal, a partir da fusão de duas instituições integrantes do campo público e promotoras deste Fórum (ACERP e Radiobrás);

 

E recomendam:

 

  • A nova rede pública organizada pelo Governo Federal deve ampliar e fortalecer, de maneira horizontal, as redes já existentes;
  • A regulamentação da Constituição Federal em seu capítulo sobre Comunicação Social, especificamente os artigos 220, 221 e 223; O processo em curso deve ser entendido como parte da construção de um sistema público de comunicação, como prevê a Constituição Federal de 1988;
  • A construção e adoção de novos parâmetros de aferição de audiência e qualidade que contemplem os objetivos para os quais a TV Pública foi criada;
  • A participação decisiva da União em um amplo programa de financiamento voltado para a produção de conteúdos audiovisuais, por meio de mecanismos inovadores;
  • Promover mecanismos que viabilizem a produção e veiculação de comunicação pelos cidadãos e cidadãs brasileiros;

 

E propõem em face do processo de migração digital:

 

  • Garantir a construção de uma infra-estrutura técnica, pública e única, que viabilize a integração das plataformas de serviços digitais por meio de um operador de rede;
  • A TV Pública considera que a multiprogramação é o modelo estratégico para bem realizar a sua missão;
  • A TV Pública deve ser promotora do processo de convergência digital, ampliando sua área de atuação com as novas tecnologias de informação e comunicação e promovendo a inclusão digital;
  • A TV Pública deve se destacar pelo estímulo à produção de conteúdos digitais interativos e inovadores;
  • O apoio à continuidade de pesquisas com vistas à criação de softwares que garantam a interatividade plena;
  • Os canais públicos criados pela Lei do Cabo devem ser contemplados no processo de migração digital, passando a operar também em rede aberta terrestre de televisão;
  • A TV Pública deve estar presente em todas as formas de difusão de televisão, existentes ou por serem criadas;
  • Trabalhar em conjunto com o BNDES para encontrar mecanismos de financiamento, por meio do fundo social do banco de fomento, da migração digital das TVs Públicas;
  • Fomentar o debate sobre a questão da propriedade intelectual no universo digital, buscando ampliar os mecanismos de compartilhamento do conhecimento.

 

A força e a solidez do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas são reflexos do envolvimento das associações do campo público de televisão brasileiro – Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom), Associação Brasileira de Emissoras Universitárias (ABTU) e Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral) – e das organizações da sociedade civil, que ao tomarem parte deste processo dele se apropriaram, difundindo-o e ampliando-o.

 

Ao cabo destes quatro dias de reunião, sob o signo da fraternidade e de uma harmonia construtiva que só se vivencia nos grandes momentos  históricos, todos saímos fortalecidos.

 

Acima de tudo, emerge fortalecido o cidadão brasileiro, detentor de um conjunto de direitos que jamais se efetivarão sem a ampliação e o fortalecimento do espaço público também na televisão brasileira;

 

Pelos motivos que se depreendem da leitura desta carta, é consenso, por fim, que o Fórum Nacional de TVs Públicas deve se transformar em espaço permanente de interlocução e de construção de políticas republicanas de comunicação social, educação e cultura, institucionalizando-se na vida democrática do País.

 

Brasília, 11 de maio de 2007

I Fórum Nacional de TVs Públicas

Parceiros

  • PALAVRAS DE PAZ
  • AFPCESP – Associação dos Funcionários da Polícia Civíl do Estado de São Paulo
  • OAB – SÃO PAULO – Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo
  • SEICHO-NO-IE – Seicho-No-Ie do Brasil
  • AIPESP – Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo
  • ANAD - Associação Nacional de Assistência ao Diabético
  • SESCON-SP – Sindicato das Empresas de serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo
  • ITAÚ CULTURAL – Instituto Itaú Cultural
  • TVT – Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho
  • TV ALESP – Canal de Televisão da Assembléia Legislativa de São Paulo
  • TV CLIMATEMPO – Canal de Televisão da empresa de meteorologia Climatempo
  • ABEPEC – Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais
  • ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária
  • ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários
  • ASTRAL – Associação Brasileira de TVs e Rádios Legislativas
  • TV CÂMARA SP – Canal de Televisão da Câmara Municipal de São Paulo
  • CNU – Canal Universitário de São Paulo
  • AACD/Teleton
  • Club de Férias